A participação dos âtorna-viagemâ na formação da vanguarda artĂstica portuguesa â a que se convencionou chamar futurista ou modernista â nĂŁo Ă© evidente. Mas estes novos-ricos dos alvores do sĂ©culo XX sempre tiveram grande disponibilidade para a ruptura, aceitando a importação do internacional como factor diferenciador e testemunha de sucesso na representação do seu regresso Ă terra natal. Nas Casas de Brasileiro que construĂram â nĂŁo sĂł nas principais cidades e vilas mas tambĂ©m nas pequenas povoaçÔes do espaço rural â adoptaram soluçÔes inovadoras e requintadas. Muitas vezes, estas obras resultaram da intervenção de projectistas escolhidos pelo seu prestĂgio como construtores ou artistas capazes de responder Ă s exigĂȘncias de modernidade destes proprietĂĄrios enriquecidos, conhecedores do conforto oferecido pelo mundo em transformação.
Este livro trata destas casas que, dispersas no territĂłrio, se tornaram marcas da variante moderna do romantismo europeu na produção arquitectĂłnica. Em Portugal, suportadas pelos excedentes de dinheiro vindo do Brasil, ou de Ăfrica (e raramente da AmĂ©rica do Norte), e promovidas por clientes disponĂveis e colaborativos, constituĂram oportunidades imensas de trabalho para os arquitectos. A narrativa histĂłrica da arquitectura portuguesa nos alvores da modernidade tambĂ©m terĂĄ de ser feita para alĂ©m das grandes cidades, num territĂłrio onde a casa do âtorna-viagemâ Ă© um elemento fundamental.
Dafne